As cartas de Jane Austen traduzidas – VII

“Steventon, terça-feira, 18 de dezembro

Minha querida Cassandra, sua carta chegou tão logo eu esperava, e sei que suas cartas sempre chegarão dessa forma, pois eu criei uma regra de não esperar por elas até que elas cheguem, no que eu acho que consigo aliviar a nós duas.

É uma grande satisfação para nós ouvir que seu negócio está no caminho para se estabelecer, e tão estabelecido de forma a te incomodar tão pouco quanto possível. Você está mais do que autorizada a usar o nome de meu pai e seus serviços se algum dia eles forem necessários. E eu irei ficar com minhas dez libras, para me aquecer no próximo inverno.

Eu tomei a liberdade de pedir ao seu chapéu de veludo preto para que me emprestasse um de seus enfeites, o que ele prontamente fez, e com o que eu fui capaz de melhorar consideravelmente a dignidade do meu chapéu, que antes era muito insignificante para me agradar. Eu irei usa-lo na quinta-feira, mas eu espero que você não se ofenda por eu ter seguido seus conselhos quanto aos ornamentos apenas em parte. Eu ainda vou manter a fita prateada ao redor dele, em duas voltas sem nenhum arco, e ao invés da pena preta militar, eu irei colocar uma coquelicot, já que parece mais inteligente e, além disso, as coquelicots serão muito elegantes neste inverno. Depois do baile, provavelmente eu irei deixar o chapéu inteiro preto.

Eu sinto muito que nosso querido Charles esteja começando a sentir a dignidade do mau aproveitamento. Meu pai irá escrever para o almirante Gambier. Ele deve sentir muita satisfação por conhecer e patrocinar Frank, que ele ficará encantado, eu ouso dizer, em ser apresentado para outro membro da família. Eu acho que seria bom que Charles contatasse Sir Thomas na ocasião, embora eu não possa aprovar seu esquema de escrever para ele (que você me comunicou algumas noites atrás) para pedir que ele volte para casa e a leve até Steventon. Para te fazer justiça, contudo, você duvidou da propriedade de tal medida você mesma.

Eu sou muito grata ao meu querido George pela mensagem – pelo amor dele ao menos; seu dever, eu suponho, surgiu em consequência de alguma pista de minhas intenções favoráveis para com ele dada por seu pai ou sua mãe. Eu estou sinceramente alegre, contudo, em ter nascido, uma vez que esse foi o meio de ele ganhar um conjunto de chá. Mande meu amor para ele.

Quarta-feira – Eu mudei minha opinião, e modifiquei os enfeites do meu chapéu nesta manhã; agora eles estão como você sugeriu. Eu senti que não iria prosperar se não seguisse suas instruções, e eu acho que agora ele me faz parecer mais com Lady Conyngham do que fazia antes, e é para isso que qualquer um vive agora. Eu acredito que devo fazer meu novo vestido como meu robe, mas as costas desse último são unidas com a cauda, e será que sete jardas irão possibilitar uma cópia?

Eu acabei de ter notícias de Martha e Frank: a carta dele foi escrita no dia 12 de novembro. Tudo bem e nada particular.

J. A”.

Espero que tenham gostado!

Com carinho, Roberta.

A imagem em destaque foi retirada daqui.
Postado por: Roberta Ouriques

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