Contos das revistas da regência

Revistas de fofoca não são uma invenção de hoje em dia. Prova disso são os pequenos fragmentos abaixo, que foram publicados em revistas populares da época. Eu os encontrei no site da Candice Hern, que além de pesquisadora, é autora de romances de época. Não vai ser a última vez que as fofoquinhas do período da regência vão aparecer por aqui e espero também publicar uma resenha de um livro da autora muito em breve. Enquanto isso, divirtam-se com as quatro mini-histórias escolhidas para hoje. Ah, autoras de plantão: a possibilidade de inspiração para um novo livro é muito forte. ?

A CULPA É DA MÚSICA – Na igreja de St. Mary, em Chester, o Sr. Humphreys (o celebrado harpista cego), casou com a Sra. Williams, viúva do Sr. Williams, que havia enterrado o marido quatorze dias antes. Durante os primeiros sete dias, a viúva permaneceu inconsolável, mas no oitavo dia, quando acidentalmente acabou na companhia do harpista, teve seu luto amenizado pelo som da melodia. Depois de seis dias de corte, o Sr. Humphreys teve a felicidade de conduzi-la até o altar.

Publicado na revista La Belle Assemblée. Outubro de 1813.

NÃO, OBRIGADO – Semana passada, um casal foi até a igreja de Scheffield para se casar. Naquele momento crucial da cerimônia, quando o ministro pergunta ao noivo “Você aceita esta mulher como sua legítima esposa?”, o noivo respondeu: “Vou pensar no assunto”. Depois, calmamente pegou seu chapéu e deixou a igreja, a noiva e a cerimônia de uma vez só, e nada poderia convencê-lo a retornar.

Publicado na revista The Sporting Magazine. Julho de 1800.

RECEITA PARA LONGEVIDADE – Um cavalheiro recentemente morreu em Londres, com a idade avançada de 85 anos. Alguns anos atrás ele se casou com uma jovem, com quem ele estabeleceu o seguinte acordo: ele fez ela entender que ela não ganharia nada com a morte dele, mas, enquanto ele vivesse, a mesada dela aumentaria conforme ele envelhecesse. O experimento funcionou perfeitamente, uma vez que cuidar dele se tornou o maior interesse da esposa. Que os homens mais velhos aproveitem a dica.

Publicado na revista La Belle Assemblée. Janeiro de 1810.

ESTRATÉGIA DESCOBERTA (Southampton, 4 de abril) – Um acontecimento causou grande agitação em uma cidade de Hampshire. Descobriram que uma jovem de 23 anos de idade, que herdará uma grande propriedade após a morte do pai, estava grávida. Os pais, enraivecidos, exigiram saber quem tinha seduzido a filha, e ficaram atônitos quando ela respondeu que tinha sido sua camareira, Harriet. Harriet, então, foi chamada pelo pai da jovem e um exame foi feito. Descobriram, dessa forma, que a jovem, durante uma visita a uma amiga que vivia perto de Londres, conheceu um belo rapaz, que era um vendedor em uma livraria circulante, e logo se apaixonou. Temendo a raiva de seu pai caso soubesse do noivado (uma vez que o jovem era pobre), os dois tiveram a seguinte ideia: o rapaz se vestiria de mulher e acompanharia sua noiva para a casa dos pais dela, onde ele de fato permaneceu, até a descoberta do caso, como sendo uma camareira. O pai, contudo, já se reconciliou com o casal e Harry (também conhecido como Harriet) está tão feliz quanto a riqueza e a beleza podem deixa-lo.

Publicado na revista The Lady’s Magazine. Abril de 1809.

Espero que tenham gostado!

Com carinho, Roberta.

Fonte: Candice Hern

A imagem em destaque é uma pintura do artista Vittorio Reggianini.

Postado por: Roberta Ouriques

Comentários

Posts relacionados

Curiosidades sobre o natal no tempo de Jane Austen

Natal passado eu escrevi três posts sobre o natal como Jane Austen conhecia (aqui, aqui e aqui), mas sempre tem