Resenha: Uma proposta e nada mais – Mary Balogh

Editora Arqueiro, 271 páginas

Título original: The proposal

Tradução: Livia de Almeida

Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.

Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.

Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Mary Balogh, nascida no País de Gales e residente no Canadá, é uma escritora de romances históricos. Quando o primeiro livro dela foi publicado, em 1985, eu não tinha nem nascido ainda! E todos esses anos de experiência fazem com que os livros dela sejam uma experiência muito agradável para o leitor. Meu primeiro contato com a autora foi com o primeiro livro da série Os Bedwyns e já me apaixonei. Ela tem um diferencial, algo que torna a história muito profunda e leve ao mesmo tempo e eu não tenho dúvidas de que vou comprar todos os livros que forem lançados por aqui. Bem, depois de ler a série sobre a família Bedwyn (e, como todo mundo, me apaixonar pelo duque de Bewcastle rs), minhas expectativas para essa nova série dela eram muito altas. E não me decepcionei 🙂

Uma proposta e nada mais é o primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes. E é claro que neste primeiro livro nós somos apresentados aos outros personagens e um pouco de suas histórias… mas, vamos por parte. Primeiro a história de Gwen e Hugo.

Gwendoline Grayson, lady Muir, está viúva há sete anos. E, apesar das dificuldades pelas quais passou na vida (a morte precoce do marido, perda de um filho, entre outras) Gwen é uma mulher otimista e satisfeita com a vida que tem. Ela vive cercada da família e dos amigos, e tem nos sobrinhos uma grande fonte de alegria. Gwen não pensa em se casar de volta, mas certo dia, enquanto passeava por uma praia na Cornualha, seus pensamentos começam a passear nessa direção. Ela decide, então, que não seria de todo ruim encontrar um novo marido… mas ele precisa ser uma pessoa menos complicada do que ela.

Hugo Emes, lorde Trentham, é um herói de guerra. Cheio de problemas e lutando contra alguns traumas, Hugo visita, anualmente, a propriedade do duque de Stanbrook na Cornualha e passa alguns dias na companhia de amigos que também têm seus próprios fantasmas: Sir Benedict Harper, Flavian Artnott, visconde Ponsonby, Ralph Stockwood, conde de Berwick, Imogen Hayes, lady Barclay e Vincent Hunt, lorde Darleigh. É lá, durante uma dessas reuniões, que ele conhece Gwen – ou, mais especificamente, em um passeio pela praia. A princípio, Hugo se ressente de ter uma “intrusa” no clube dos sobreviventes, mas logo vê que Gwen é muito mais do que ele achava que ela era. Longe de ser apenas mais uma aristocrata vivendo uma vida frívola, Gwen também possui algumas partes obscuras com as quais precisa lidar.

Eu, quando comecei a ler o livro, acreditei que toda a história iria se passar na Cornualha, na residência do duque, mas não foi isso que aconteceu. Gwen e Hugo têm seu primeiro contato por lá, mas depois se separam e encontram-se novamente em Londres, onde Hugo sente que está completamente fora do seu meio (algumas cenas divertidas advém dessa dificuldade dele em se encaixar). Na verdade, o título de Hugo foi obtido através de feitos na guerra, então ele não entende muito o mundo dos aristocratas e, para falar a verdade, nem quer. Tudo que ele queria era uma esposa de sua própria classe social para produzir um herdeiro e, assim, agradar seu falecido pai. Mas, em Londres para realizar um sonho de sua meia-irmã, Constance, Hugo faz de tudo para não desistir no meio do caminho. Como Gwen se torna a madrinha de Constance durante a temporada londrina, Hugo e Gwen se encontram frequentemente. Eles ficam em um embate de quero que ele me corteje? e será que quero cortejar ela? e nós vamos descobrindo junto com os dois que mesmo com as diferenças entre eles, há algo muito mais forte que os atrai.

Eu amei o livro! Como em todos os livros da Mary Balogh, nós podemos perceber que ela sabe do que está escrevendo e as referências históricas são perfeitas. Além dos personagens dela, né? Mary é mestre em criar personagens dotados de profundidade, e isso, por si só, já consegue carregar a história. Nesse livro, eu caí de amores por Gwen. Ela passou por tanta coisa na vida, mas continua sendo uma mulher bem-humorada, agradável, bem disposta- e, por que não, feliz. O Hugo não está na minha lista dos melhores heróis, mas ele deu conta de seu papel e eu terminei o livro desejando que ele tivesse sua própria cota de felicidade. Apesar de ser carrancudo e assustador (rs), Hugo na verdade tem um coração enorme. Ele e Gwen vão descobrindo, aos poucos, que um tem no outro uma fonte de conforto. Gwen sempre escondeu seus maiores problemas e é em Hugo que ela confia para se abrir pela primeira vez. Hugo, da mesma forma, não se sente acanhado em dividir com Gwen seus traumas e suas angústias. Devagarinho, nós, os leitores, vamos conhecendo mais sobre o passado dos dois e é impossível não se apegar e se interessar pelas histórias de cada um. Foi uma excelente escolha para o primeiro casal a ter seu livro nessa série!

Alguns personagens que apareceram na série Os Bedwyns participam desse livro, como Kit, Lily e Lauren, mas como já faz tempo que li Os Bedwyns, eu não lembro muuuuito deles por lá. Mas, tchanãnã, o próprio duque de Bewcastle (e seu monóculo!) faz uma pequena aparição nesse livro! Dele eu lembro muito bem e não preciso nem dizer que amei, né? Quanto mais Wulfric, melhor!

Quanto ao que eu espero dos próximos livros: muito! Já fiquei muito feliz em saber que o próximo volume trará a história de Vincent Hunt, lorde Darleigh, que é meu “sobrevivente” preferido até agora rs. Mas também estou muito ansiosa pelo livro da Imogen.

Enfim, podem ler Uma proposta e nada mais sem medo de ser feliz! Quem já leu, se quiser, conta nos comentários o que achou 🙂

P.s: Eu amei a capa desse livro (e as capas das continuações também). A editora Arqueiro arrasou né?

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Com carinho, Roberta.

Postado por: Roberta Ouriques

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