As cartas de Jane Austen traduzidas – VI

“Steventon, 1º de dezembro

Minha querida Cassandra, serei tão generosa em escrever de novo para você tão rápido, para que você saiba que eu acabei de ter notícias de Frank. Ele estava em Cadiz, vivo e bem, no dia 19 de outubro, e recebeu uma carta sua, escrita há tanto tempo que ‘Londres’ ainda ficava em St. Helen. Mas a última vez que ele realmente ficou sabendo de nós foi no dia 1º de setembro, quando eu enviei uma carta logo que chegamos em Godmersham. Ele havia escrito várias cartas para os amigos na Inglaterra, no começo de outubro, que deviam vir através do Excellent, mas o navio não zarpou, e nem parecia que ia zarpar, quando ele enviou as cartas para mim. Havia cartas para nós duas, para lorde Spencer, para o Sr. Daysh e para os diretores da Companhia das Índias Ocidentais. Lorde St. Vincent havia deixado a frota quando Frank escreveu, e tinha partido para Gibraltar, aparentemente para supervisionar uma expedicão privada que iria partir de lá até alguns portos inimigos; pensam que se tratava de Minorca ou Malta.

Frank escreveu com uma boa presença de espírito, mas disse que não poderemos nos corresponder tão facilmente no futuro, já que a comunicação entre Cadiz e Lisboa não é tão boa quanto já foi. Você e minha mãe, portanto, não devem se alarmar com os longos intervalos entre as cartas dele. Eu quero aconselhar vocês duas, já que têm os corações mais afetuosos da família.

Minha mãe fez sua entrada na sala de vestir atravessando uma multidão de admiradores na tarde de ontem, e todos nós tomamos chá juntos pela primeira vez em cinco semanas. Ela passou uma noite tolerável, e torce para que as coisas continuem nesse sentido hoje.

O Sr. Lyford esteve aqui ontem; ele veio enquanto nós jantávamos, e participou dos nossos entretenimentos. Eu não fiquei tímida em convida-lo para se juntar a nós e sentar na mesa, pois nós tivemos sopa de ervilhas, acém e pudim.

Estive em Deane ontem de manhã. Mary estava muito bem, mas não está ganhando força muito rápido. Quando eu a vi tão robusta no sexto dia, eu esperei que iria encontrá-la tão bem como sempre esteve depois de quinze dias.

James foi para Ibthorp ontem para ver sua mãe e seu filho. Letty está com Mary no momento, claro que extremamente feliz, e arrebatada com a criança. Mary não consegue administrar as coisas de um jeito que faça com que eu deseje ter filhos. A aparência dela não está arrumada; ela não tem nenhum vestido que sirva; suas cortinas são muito finas e as coisas não estão em um estado confortável que seria necessário para transformar a situação em uma situação viável. Elizabeth estava linda com seu chapéu limpinho e arrumado e com um vestido inteiro branco. Nós passamos o tempo inteiro na sala de vestir agora, e eu gosto muito disso. Eu sempre me sinto mais elegante do que na sala de estar.

Não tive notícias de Kintbury ainda. Eliza se delicia com nossa impaciência. Ela estava muito bem quinta-feira passada. Com quem a Srta. Maria Montresor irá se casar e o que irá acontecer com a Srta. Mulcaster?

Eu estou confortável com meus apetrechos de costura, e espero que não precise usar os seus com frequência. Eu fiz dois ou três chapéus para usar de noite, desde que cheguei em casa, e eles me salvaram de um mundo de tormento em questão de penteados, e agora não tenho nenhum trabalho além de lavar e escovar, pois meu cabelo, quando comprido, sempre fica trançado e, quando curto, enrola suficientemente bem para não precisar de papel. Eu cortei com o Sr. Butler.

Não há motivos para supor que a Srta. Morgan está morta, afinal. O Sr. Lyford nos deixou felizes ontem em razão dos elogios ao carneiro feito pelo meu pai, que todo mundo pensa que é o melhor que já comeu. John Bond está começando a achar que está envelhecendo, o que ele não devia fazer, e que não aguenta mais muito trabalho pesado; precisaremos contratar alguém para substitui-lo no serviço, e John irá cuidar das ovelhas. Não temos mais criados do que antes, eu acredito; só que agora temos homens ao invés de meninos. Eu gosto, mas você conhece minha estupidez quanto a esses assuntos. Lizzie Bond está trabalhando como aprendiz da Srta. Small, então nós podemos esperar vê-la estragar vestidos em alguns anos.

Meu pai pediu para o Sr. May uma taberna para Robert, a pedido deste último, e para o Sr. Deane, em Winchester, também. Foi ideia de minha mãe, que pensou que ele ficaria orgulhoso em forçar uma relação com Edward, como um retorno por Edward ter aceitado seu dinheiro. Ele enviou uma resposta muito civil, mas não tem nenhuma taverna vaga no momento. May espera logo ter uma taverna vaga em Farnham, então, talvez, Nanny terá a honra de servir cerveja para o bispo. Eu irei escrever para Frank amanhã.

Charles Powlett deu um baile na quinta-feira, para o incômodo de todos os seus vizinhos que, você sabe, tem o maior interesse nas finanças dele e vivem com a esperança de que ele seja arruinado.

Nós estamos muito dispostos a gostar de nossa nova empregada; ela não sabe nada de laticínios, isso é certo, e, na nossa família, isso pesa contra ela, mas nós iremos ensiná-la. Em resumo, nós sentimos a inconveniência de ficar muito tempo sem uma emprega que estamos determinado a gostar dela e vai ser difícil para ela nos desapontar. Até agora, ela parece cozinhar muito bem, é incomumente robusta, e diz que pode trabalhar bem com a agulha.

Domingo – Meu pai ficou feliz em ouvir um bom relato dos porcos de Edward, e espera ouvir, como um encorajamento por seu gosto, que lorde Bolton está particularmente interessado em seus porcos, ele tem chiqueiros de uma construção elegante, e visita os porcos toda manhã, logo depois de acorda.

Sinceramente sua, J.A”

Espero que tenham gostado!

Com carinho, Roberta.

A imagem em destaque foi retirada daqui.
Postado por: Roberta Ouriques

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