Trechos famosos das cartas de Jane Austen – ou trechos que deveriam ser famosos

As cartas de Jane Austen têm muitos quotes incríveis e não é de se espantar que Cassandra Austen tenha queimado muitas das cartas – os comentários sobre algumas pessoas não eram nada lisonjeiros! rs! O post de hoje está cheio desses trechos e alguns eu até poderia usar (como o do frio hahaha) para enviar para alguns amigos. Boa leitura:

  • “Eu não quero que as pessoas sejam muito agradáveis, pois isso me poupa de precisar gostar muito delas”, carta de 24 de dezembro de 1798.

  • [Para sua irmã, Cassandra, na ocasião do nascimento do filho de uma de suas cunhadas:] “Eu te dou a alegria de saber de nosso novo sobrinho, e espero que se algum dia ele for ser enforcado que não seja até que estejamos muito velhas para nos importar”, carta de 25 de abril de 1811.

  • [Sobre outro sobrinho, que na época estava com cerca de três anos:] “Eu irei pensar com carinho e admiração em seu belo e risonho semblante e em seus modos interessantes, até que alguns anos façam dele um camarada ingovernável e sem graça”, carta de 27 de outubro de 1798.

  • “Eu tive uma noite agradável, contudo, embora você provavelmente descubra que não existe nenhuma razão particular para isso; mas eu não acredito que vale a pena esperar pelo divertimento até que haja uma oportunidade real para ele”, carta de 21 de janeiro de 1799.

  • “Finalmente chegou o dia em que irei flertar com Tom Lefroy pela última vez, e quando você receber esta carta tudo estará acabado. Minhas lágrimas caem com o pensamento melancólico”, carta de 16 de janeiro de 1796.

  • [Sobre um baile, quando uma apresentação era um pré-requisito para que um cavalheiro pudesse pedir uma dança para uma mulher que ele não conhecia:] “Havia um cavalheiro, um oficial de Cheshire, um jovem muito bonito que, me disseram, queria muito ser apresentado a mim, mas como ele não quis isso o bastante a ponto de se incomodar para fazer acontecer, nós nunca fomos apresentados”, carta de 8 de janeiro de 1799.

  • “Na próxima semana eu devo iniciar as operações em meu chapéu, do que você sabe que minhas principais esperanças de felicidade dependem”, carta de 27 de outubro de 1798.

  • [Conselho amoroso para a sobrinha Fanny Knight:] “Existem alguns seres no mundo – talvez um em cada mil – que são como a criatura que eu e você consideramos perfeita; onde a graça e o espírito estão unidos, onde os modos estão em conformidade com o coração e o discernimento; mas tal pessoa pode não cruzar o seu caminho, ou, se cruzar, pode não ser o filho mais velho de um homem que tem fortuna, um conhecido próximo de um amigo seu, e nem pertencer ao seu próprio condado”, carta de 18 de novembro de 1814.

  • [Para a sobrinha Anna, falando sobre os personagens de um romance que Anna estava escrevendo:] “O fato de ele ter sido apaixonado pela tia traz… um interesse adicional… Eu gosto da ideia – um verdadeiro elogio apropriado para uma tia! Na verdade, eu imagino que as sobrinhas raramente são escolhidas […]. Eu me atrevo a dizer que Ben [o marido de Anna] esteve apaixonado por mim um dia, e que nunca iria nem pensar em você se não tivesse suposto que eu havia morrido de escarlatina”, carta do final de 1814.

  • “No final de Kingsdown Hill nós encontramos um cavalheiro em um buggy, que, após um minuto de observação, acabou por ser o Dr. Hall – e um Dr. Hall em um luto tão profundo que ou sua mãe, ou sua esposa ou ele mesmo devem estar mortos”, carta de maio de 1799.

  • “Como uma maneira de me incentivar a me associar, a Sra. Martin [a proprietária da livraria circulante] me disse que a coleção dela não consiste apenas de romances, mas de todo tipo de literatura. Ela poderia não ter compartilhado essa pretensão com nossa família, que é uma grande leitora de romances e não tem vergonha de assumir; mas é necessário, eu suponho, para o senso de importância de metade de seus associados”, carta de 18 dezembro de 1798.

  • “Eu não poderia escrever um romance histórico mais do que poderia escrever um poema épico. Eu não poderia realmente me sentar para escrever um romance sério sob nenhuma outra circunstância senão para salvar minha vida; e se fosse indispensável que eu me mantivesse séria e nunca relaxar para rir de mim mesma ou de outras pessoas, eu tenho certeza de que seria enforcada antes de terminar o primeiro capítulo”, carta de 1º de abril de 1816.

  • [Na ocasião da segunda edição de Razão e Sensibilidade:] “Desde que eu escrevi pela última vez, minha segunda edição me encarou de frente. […] Eu não posso evitar de desejar que muitas pessoas se sintam obrigadas a comprar o livro. Eu não me importarei de imaginar que será um dever desagradável, contando que comprem”, carta de 6 de novembro de 1813.

  • “Eu não penso o pior dele pelo fato de possuir um cérebro tão diferente do meu… e ele merece um tratamento melhor do que ser forçado a ler outro dos meus trabalhos”, carta de março de 1817.

  • [Chegando em Londres:] “Aqui me encontro novamente, nesse cenário de dissipação e vícios, e já começo a encontrar corrupções em minha moral”, carta de agosto de 1796.

  • [Ao visitar uma elegante escola para moças em Londres:] “O tempo… deixou que eu ficasse apenas alguns minutos sentada com Charlotte Craven. Ela parece estar muito bem, e o cabelo dela está arrumado com uma elegância que dá crédito à educação. Os modos dela continuam sem afetação e agradáveis como sempre… Eu fui levada no andar de cima em uma sala de estar, onde ela veio até mim, e a aparência do aposento, totalmente diferente de uma escola, me agradou bastante; estava cheio de elegâncias modernas, e se não fosse por alguns cupidos nus em cima da lareira, que deve ser uma ótima fonte de estudo para garotas, ninguém poderia perceber o ambiente de educação”, carta de 20 de maio de 1813.

  • “Infelizmente, contudo, eu não vejo motivos para ficar feliz, a não ser que eu considere uma alegria o fato da Sra. Wylmot ter tido outro filho e de que lorde Lucan arranjou uma amante, dois eventos que, é claro, são alegres para os atores [participantes]“, carta de 8 de fevereiro de 1807.

  • ” Pobre mulher! Honestamente, como ela pode estar reproduzindo de novo?”, carta de 1º de outubro de 1808.

  • [Na ocasião da Sra. Deede ter dado à luz a outro filho:] “Eu recomendaria o regime de separação de quartos para ela e o Sr. D.”, carta de 20 de fevereiro de 1817.

  • “Eu acredito que bebi muito vinho ontem à noite em Hurstbourne; não sei de que outro modo eu poderia explicar os tremores em minha mão hoje. Você irá gentilmente desconsiderar, portanto, qualquer traço impreciso de escrita, atribuindo isso a esse erro desculpável”, carta de 20 de novembro de 1800.

  • [Em um baile:] “A Sra. B e duas jovens faziam parte da mesma comitiva, exceto quando a Sra. B pensou ser obrigada a deixá-las para correr pelo salão atrás de seu marido bêbado. A evasão dele, e a perseguição dela, com a provável intoxicação dos dois, foi uma cena divertida”, carta de 12 de maio de 1801.

  • [Sobre a preparação da mudança de Steventon para Bath:] “Você é muito gentil em planejar os presentes que devo dar, e minha mãe me concedeu exatamente a mesma atenção; mas como eu não escolho ter a generosidade dedicada a mim, eu não devo me decidir em dar meu armário para Anna até que a ideia de fazer isso tenha sido minha”, carta de 8 de janeiro de 1801.

  • “O Dr. Gardiner se casou ontem com a Sra. Percy e suas três filhas”, carta de 11 de junho de 1799.

  • “Eu não posso de forma alguma continuar a achar as pessoas agradáveis. Eu respeito a Sra. Chamberlayne por arrumar bem o cabelo, mas não posso sentir nada mais delicado do que isso. A Srta. Langley é como qualquer outra garota pequena, com um nariz largo e uma boca grande, um vestido elegante e o colo exposto. O Almirante Stanhope é um homem cavalheiresco, mas suas pernas são muito pequenas e seu tronco muito longo”, carta de 12 de maio de 1801.

  • [Sobre comprar um raminho para o chapéu da irmã:] “Eu não posso deixar de pensar que é mais natural ter flores na cabeça ao invés de frutas. O que você pensa disso?”, carta de 11 de junho de 1799.

  • [Sobre a guerra peninsular:] “Que horror é ver tantas pessoas morrendo! E que benção é não se importar com nenhuma delas!”, carta de 31 de maio de 1811.

  • “Você demonstra tão pouca ansiedade sobre eu ser assassinada pelo criado da Sra. Hulbert em Ash Park Copse que eu estou decidida a não te contar se fui ou não”, carta de 8 de janeiro de 1799.

  • “Mate a pobre Sra. Sclater, se quiser, enquanto estiver em Manydown”, carta de 9 de fevereiro de 1813.

  • “Eu aprendi com a filha da Sra. Tickars, para minha grande satisfação, que agora os espartilhos não são mais feitos para forçar o colo para cima; aquilo era muito impróprio, uma moda que não era natural”, carta de 15 de setembro de 1813.

  • “Você merece uma carta mais extensa do que essa; mas é meu infeliz destino raramente tratar as pessoas como elas merecem”, carta de 24 de dezembro de 1798.

  • “Eu não irei te contar mais nada sobre a porcelana da Sra. Digweed, uma vez que seu silêncio sobre o assunto não te faz merecedora dele”, carta de 27 de dezembro de 1808.

  • “Seu silêncio sobre nosso baile faz com que eu suponha que sua curiosidade é muito grande para as palavras expressarem”, carta de 24 de janeiro de 1809.

  • “A Srta. Bigg me escreveu dizendo que a Srta. Blachford está casada, mas eu não vi isso [o registro de casamento] por escrito. Uma pessoa pode muito bem estar solteira, se o casamento não estiver registrado”, carta do final de 1814.

  • [Sobre ter um dinheiro extra para gastar:] “Eu enviei minha resposta, a qual eu escrevi sem fazer muito esforço, pois eu estava rica, e os ricos são sempre respeitáveis, qualquer que seja seus estilos de escrita”, carta de 20 de junho de 1808.

  • “Eu descobri, analisando meus negócios, que, ao invés de ser muito rica, provavelmente eu serei muito pobre… mas como devemos nos encontrar em Canterbury eu não fiz menção a isso. É bom, contudo, preparar você para o prospecto de uma irmã afundada na pobreza, para que isso não afete seu espírito”, carta de 24 de agosto de 1805.

  • “Nós encontramos apenas a Sra. Lance em casa, e se ela tem outros filhos além de um grande pianoforte, eles não apareceram. Eles não irão aparecer com frequência, me atrevo a dizer. Eles vivem em grande estilo e são ricos, e ela parecia gostar de ser rica, e nós a fizemos entender que estamos longe de ser ricos; logo ela irá, portanto, sentir que não somos dignos de nos relacionar com ela”, carta de 7 de janeiro de 1807.

  • [Sobre o clima:] “Nós estivemos excessivamente ocupados desde que você partiu. Em primeiro lugar, nós tivemos que nos alegrar duas ou três vezes por dia por você ter experimentado um clima tão maravilhosamente bom durante toda a sua jornada…”, carta de 25 de outubro de 1800.

  • [Sobre o clima:] “Como você gosta desse frio? Eu espero que todos vocês tenham pedido sinceramente por esse alívio benéfico em razão da estação amena e nada saudável que o precedeu, imaginando você metade putrificada por ter desejado por isso, e que agora todos vocês estejam dentro do fogo, reclamando que nunca sentiram um frio tão amargo antes, que vocês estejam com fome, praticamente congelados, e desejando o tempo ameno de todo com todo o coração”, carta de 25 de janeiro de 1801.

  • [Sobre o clima:] “Eu sinto muito que minha mãe esteja sofrendo, e receio que esse clima primoroso seja bom demais para fazer bem a ela. Eu aprecio ele [o clima] inteiramente, da cabeça aos pés, da direita para a esquerda, longitudinalmente, perpendicularmente, diagonalmente; e não posso deixar de esperar de forma egoísta que tenhamos esse clima até o natal, pelo menos – um clima agradável, prejudicial, irrazoável, relaxante e abafado”, carta de 2 de dezembro de 1815.

  • “Os Webbs realmente foram embora! Quando eu vi os vagões na porta, e pensei em todos os problemas que eles estão enfrentando para se mudar, comecei a me repreender por não ter gostado mais deles. Mas desde que os vagões desapareceram minha consciência está limpa novamente e eu estou excessivamente feliz por eles terem partido”, carta de 28 de setembro de 1814.

  • “A propósito, como eu preciso deixar de ser jovem, eu descobri muitas gratificações em ser uma espécie de acompanhante [nos bailes], já que eu posso ficar no sofá perto do fogo e beber o tanto de vinho que eu quiser”, carta de 6 de novembro de 1813.

  • “Eu comprei um ingresso para um concerto e um ramo de flores para minha idade avançada”, carta de 3 de novembro de 1813 [ela estava com trinta e sete anos na época].

  • “Eu estou bastante satisfeita com o comentário dele sobre mim – Uma jovem agradável de se olhar –, isso deve servir. Não podemos esperar nada de melhor agora; ficarei grata se isso continuar por mais alguns anos”, carta de abril/maio de 1811.

  • “Nosso baile foi mais divertido do que eu esperava. A parte melancólica foi ver tantas jovens paradas sem parceiros, e cada uma dela com dois ombros feios a mostra! Era o mesmo salão em que dançamos quinze anos atrás! Eu pensei nisso o tempo todo e apesar da vergonha de estar muito mais velha, eu me senti grata por estar tão feliz agora quanto antes”, carta de 9 de dezembro de 1808.

  • [Jane Austen tinha uma piada interna com sua família sobre ela se casar com o poeta Crabbe, de quem ela apreciava as poesias:] “Não, eu nunca vi nenhuma notícia sobre a morte da Sra. Crabbe. Eu apenas presumi, através de um dos prefácios, que ele provavelmente era casado… pobre mulher! Eu irei confortá-lo da melhor maneira que puder, mas eu não vou me dedicar para ser boa com os filhos dela. É melhor que ela não deixe nenhum”, carta de 18 de outubro de 1813.

  • “Eu vou me encontrar com a Sra. Harrison e nós devemos falar de Ben e Anna [um jovem casal que havia ficado noivo]. ‘Minha querida Sra. Harrison’, eu vou dizer, ‘eu receio que o jovem tenha herdado a loucura de sua família, e embora frequentemente pareça que exista alguma loucura em Anna também, eu acho que ela herdou mais da família materna do que da nossa’. É isso que eu vou dizer, e eu acho que vai ser difícil para ela me responder”, carta de 3 de novembro de 1813.

  • “Ben e Anna vieram aqui… e ela estava tão bonita, e foi um verdadeiro prazer vê-la, tão jovem e florescendo, e tão inocente, como se nunca tivesse tido um pensamento perverso em toda a vida, ainda que tenhamos alguma razão para pensar que ela deve ter tido, se acreditamos na doutrina do pecado original”, carta de 20 de fevereiro de 1817.

  • “Eu não gosto das senhoritas Blackstones; de fato, eu sempre estive determinada a não gostar dela, então há menos mérito nisso”, carta de 8 de janeiro de 1799.

  • “Eu não vou dizer que as amoreiras estão mortas, mas eu receio que elas não estejam vivas”, carta de 31 de maio de 1811.

Espero que tenham gostado!

Com carinho, Roberta.

A imagem em destaque foi retirada daqui.
A lista foi retirada daqui.
Postado por: Roberta Ouriques

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