O ano novo no tempo de Jane Austen

Passadas as festividades natalinas, é hora de nos prepararmos para a virada do ano! Alguns preferem festar bastante com os amigos, outros preferem um jantar mais calmo com a família, alguns preferem viajar, outros preferem ficar em casa, alguns têm suas superstições, outros não acreditam, mas o que todo mundo tem em comum é a vontade de estar acordado para quando o ano velho acabar e um ano novinho em folha começar.

E como era a celebração do ano novo no período georgiano?

Uma coisa é certa: era muito diferente da nossa rs. Ninguém se vestia de branco e ninguém soltava fogos quando o relógio batia a meia-noite, mas certamente havia comemorações! Na verdade, o dia de ano novo fazia parte de uma época muito festiva – do início de dezembro até dia seis de janeiro –, então é claro que não seria “apenas mais um dia”. Lembrando, sempre, que durante esse período os meninos saíam em recesso da escola e voltavam para suas casas, o que, por si só, já era motivo de alegria.

As superstições estavam bem presentes nessa época, embora seja importante ressaltar que a maior presença era entre a população mais humilde. Por exemplo: em algumas casas, a família se sentava em um círculo e esperava pela virada do ano. Assim que o relógio marcasse a meia-noite, o chefe da família abria a porta da casa para espantar o ano velho e receber o ano novo. Outra superstição bastante relatada era a limpeza da casa – cinzas, farrapos e qualquer coisa perecível, para que nada de ruim passasse de um ano para o outro.

Nesse post aqui tem mais uma superstição escocesa para a passagem do ano.

Mas uma “superstição” perdura até os dias de hoje. Não tanto aqui no Brasil, mas em países de língua inglesa é muito comum cantar a música “Auld Lang Syne” na virada do ano. Esse costume se originou no século XVIII com os escoceses. A tradição migrou para a Inglaterra em 1796, quando a letra da música foi publicada pelo poeta Robert Burns. O título da música significa “há muito tempo atrás” ou “os bons dias passados”. A letra é basicamente sobre esquecer o passado e olhar para o novo ano com esperança. P.s: eu amo essa música e indico a versão do Rod Stewart, que é minha preferida.

No livro Jane Austen’s England, Roy e Lesley Adkins contam que existia o costume de dar presentes no ano novo. Eles também mencionam que as igrejas tocavam seus sinos à meia-noite. Mas, apesar de ser celebrada, a virada do ano não era uma data tão esperada como o natal. Dá pra notar até pelos materiais de pesquisa, pois sobre o natal nós encontramos muita coisa, já sobre o ano novo o material é mais restrito – e muitas vezes se repete.

E agora um pequeno vislumbre do ano novo no início do período vitoriano! Tem um livro que é absolutamente maravilhoso que se chama “Retratos Londrinos”, do Charles Dickens. Foi publicado em 2003 pela editora Record (e bem que eles podiam publicar novamente!) e tem vários contos e crônicas de Dickens. Uma dessas crônicas se chama ano novo e Charles Dickens inicia assim:

Depois do dia de natal, a época mais agradável do ano é a chegada do Ano-Novo (página 247, tradução de Marcello Rollemberg).

E nessa crônica, que foi publicada na virada do ano de 1835 para 1836, o autor descreve uma festa de ano novo com tudo que se tem direito: danças, jantar, brindes e decoração especial. Ou seja, era um dia de festa!

Espero que tenham gostado!

E deixando meus votos de um excelente ano novo, eu me despeço do blog (e de vocês, leitores queridos!) neste ano de 2018 – o ano que o blog nasceu – com a promessa de muitos e muitos posts em 2019!

Com carinho, Roberta.

Imagem em destaque: Pinterest

Fontes: Jane Austen’s England, Roy e Lesley Adkins

Retratos londrinos, Charles Dickens

Jane Austen’s World (aqui, aqui e aqui)

Kristen Koster

Postado por: Roberta Ouriques

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